28 de mar. de 2017

Sociologia: 5ª aula do 3º ano do Ensino médio.

Partidos políticos

                 Em uma democracia, deve haver liberdade para que todos apresentem propostas a serem discutidas com os demais cidadãos. Mas como cada cidadão, sozinho, pode ter influência sobre todos os outros? Digamos que você tenha uma boa ideia sobre uma nova lei, ou sobre como o país deve ser governado. O que você faz? Como agir para que todos os outros brasileiros ouçam sua opinião e tenham condições de avaliar se você tem razão?
         Uma solução é juntar-se a outros cidadãos que pensam mais ou menos como você para ampliar sua influência. Essa é a ideia por trás dos partidos políticos. Os partidos políticos são associações que têm o objetivo de disputar o poder político. Quando você resolve se filiar a um partido político, sabe que as ideias do partido não vão ser exatamente iguais às suas (afinal, os outros membros do partido também têm o direito de dar suas opiniões, que nem sempre coincidirão com a sua). Mas, se fizer uma boa escolha, você vai optar pelo partido com ideias mais próximas das suas. Boa parte da política consiste nisso: juntar-se a outras pessoas para defender ideias e interesses semelhantes.
         Como surgiram os partidos modernos? Sempre que há Estado, há grupos que lutam entre si para controlá-lo. Mesmo onde o rei manda em tudo, existem grupos diferentes tentando convencê-lo a fazer coisas diferentes. Porém, esses grupos não são semelhantes aos partidos modernos, que se formaram quando o direito ao voto foi se tornando mais abrangente, passando a incluir a classe média e depois os mais pobres, os negros, as mulheres, etc. A partir desse momento, todos os grupos que queriam ganhar influência sobre o Estado precisaram correr atrás do apoio dos eleitores.
         Além disso, os operários formaram seus próprios partidos assim que puderam. Por que os mais pobres se esforçaram tanto para formar partidos? Porque, como vimos, os ricos têm outras formas de se fazer ouvir na política. Podem, por exemplo, comprar espaço nos jornais para divulgar suas ideias. Os que não desejam concorrer a cargos no governo podem financiar as campanhas dos candidatos — que, em contrapartida, precisarão ouvir o que seus financiadores querem. Já os pobres não podiam (nem podem) fazer nada disso. Portanto, quando se formaram, os partidos socialistas visavam juntar a contribuição financeira de milhões de pessoas para terem chance de competir com os mais ricos pelo poder político.

Você já pensou nisso?

                Muita gente no Brasil diz que não gosta de partidos políticos porque “vota em pessoas, não em partidos”. Isso não é errado, mas vale a pena pensar em alguns problemas que essa atitude pode acarretar. Por exemplo, nem todos os partidos defendem as mesmas coisas. O partido que o candidato escolheu não reflete suas opiniões a respeito de assuntos importantes? Além do mais, como o Brasil é um país com muitos partidos, o candidato provavelmente vai ter de fazer alianças com outros partidos para conseguir governar. Sem saber de que partido ele é, como saber quais partidos são seus aliados? Será que você concorda com o que esses outros partidos defendem?

         O surgimento dos partidos socialistas forçou a formação de outros grandes partidos, mesmo porque hoje as campanhas políticas custam caro até para milionários. Como notou o cientista político francês Maurice Duverger (1917-), em muitos países modernos a disputa basicamente se dá entre dois grandes partidos:
1. um partido de esquerda, que defende a cobrança de impostos dos mais ricos para oferecer benefícios aos mais pobres. São os partidos socialistas e semelhantes;
2. um partido de direita, que defende que o Estado não interfira muito na economia, para que ela cresça mais. São os partidos liberais ou conservadores.
         Nos Estados Unidos, há um partido um pouco mais à esquerda (o Partido Democrata) e outro um pouco mais à direita (o Partido Republicano). Na Inglaterra, essa distinção é mais evidente, com um partido claramente de esquerda (o Partido Trabalhista) e um partido claramente de direita (o Partido Conservador). Mesmo onde há mais de dois partidos importantes (no Brasil, como veremos, há bem mais que dois), é comum que os vários partidos se organizem em dois blocos: um mais à esquerda, outro mais à direita.
         Nas disputas entre os partidos modernos, os dois partidos principais tendem a competir pelo centro. Para conquistar a maioria e vencer a eleição, os partidos precisam disputar a simpatia (o voto) do centro: pessoas que não são nem muito de esquerda, nem muito de direita. Para isso, terão que se tornar menos radicais. A esquerda, por exemplo, vai ter que aceitar cobrar menos impostos do que gostaria. A direita, por sua vez, vai ter que concordar em oferecer alguns serviços sociais à população mais pobre.
         Esse elemento de moderação proporcionado pela disputa por votos é, sem dúvida, importante para a manutenção da democracia moderna. Mas também traz sérios problemas. Há o risco de os partidos pararem de defender qualquer ideia que seja e se tornarem iguais. Nesse caso, as pessoas realmente interessadas em defender alguma ideia poderiam desanimar e perder o interesse na democracia. Esse é um dos grandes desafios da democracia moderna, como veremos no último capítulo deste livro.

Atividade

1º) Em uma democracia, deve haver liberdade para que todos apresentem propostas a serem discutidas com os demais cidadãos. O que você faria para apresentar uma proposta a ser discutida com os demais cidadãos?
a) Juntar-se a outros cidadãos para ampliar sua influência;
b) Vai para a assembleia sozinho e defende a ideia;
c) Partido político não é interessante para fazer isso;
d) As ideias não podem partir de pessoas comum como nós.

2º) Os mais pobres devem se esforçar para fazer partido (política) e os ricos usam outras formas de se fazer ouvir na política. Qual das formas abaixo não é usada pelos ricos para serem ouvidos na política?  
a) Comprar espaço nos jornais para divulgar suas ideias;
b) Financiem as campanhas dos candidatos;
c) Concorrer a cargos no governo;
d) Ricos não fazem política, pois não são politizados. 

3º) Em muitos países modernos a disputa política basicamente se dá entre dois grandes partidos, um partido de esquerda e outro de direita. Qual é a filosofia dos partidos de direita?
a) Defende a cobrança de impostos dos mais ricos para oferecer benefícios aos mais pobres;
b) São os partidos socialistas e semelhantes;
c) Defende que o Estado não interfira muito na economia, para que ela cresça mais;
d) Defende que o Estado interfira totalmente na economia.
Sociologia hoje (221 - 222): volume único: ensino médio /Igor José de Renó Machado [et al.]. 1. ed. São Paulo: Ática, 2013.

Poderá gostar também de:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...