10 de set. de 2015

Atentado contra as regras da razão.

A lei da natureza nos obriga a transferir aos outros aqueles direitos que, ao serem conservados, impedem a paz da humanidade, mas, ainda é necessário que se cumpram as normas estabelecidas. Sem esta lei não é possível a paz, e viveríamos em violência; como o direito de todas as pessoas em cometer qualquer delito continuaria em vigor, permaneceríamos na condição de guerra. 
Quando alguém inflige as leis e ao mesmo tempo declara que pode fazê-la de acordo com as conjunturas, não pode ser aceite por qualquer sociedade que se constitua em vista da paz e da defesa, a não ser devido a um erro dos que o aceitam. E se for aceite não se pode continuar a admiti-lo, quando se vê o perigo desse erro; e não seria razoável esse homem contar com esses erros como garantia de sua segurança.
Portanto, alguém que atentar contra a legislação deve ser expulso da sociedade ou condenado à algum tipo de castigo, e se viver nessa sociedade, igual aos membros honestos, será graças aos erros das outras pessoas, os quais o criminoso não podia prever e com os quais não podia contar, logo contra a razão de sua preservação.
Assim, todos os homens que não contribuem para punição do criminoso fazem-no apenas por ignorância do que a eles próprios beneficia. Atentar contra as leis gerais é atentar contra as regras da razão, pela qual somos proibidos de fazer todas as coisas que destroem a nossa vida e, por conseguinte, é uma lei da natureza.
(Leviatã, p 53)

9 de set. de 2015

Justificativa incompatível com o bem geral (HOBBES)

Uma justificativa em que eu me comprometa a não me defender do descaso com a coisa pública com a afirmação de não gostar de política é sempre irracional. Porque ninguém pode transferir ou renunciar a seu direito de fazer parte das decisões que interferem na qualidade de vida em seu país. Os ferimentos ou miséria são gerados pela renúncia ao direito político, portanto, a ideia do não envolvimento político representa uma loucura e é incompatível com países civilizados.
A transferência de direitos em qualquer circunstância deve ser um mal menor que a não transferência e quando abrimos mão de direitos políticos o mal é sempre maior.  Isso é incompatível com qualquer pacto, embora se possa fazer pactos nesses termos, o homem escolhe por natureza o mal menor, que é a possibilidade de decidir o que fazer em sua sociedade.

8 de set. de 2015

As imposições do pacto social (Leviatã).

Fizemos um pacto social onde uns deixam de cumprir sua parte, e os cidadãos honestos confiam no Estado para fazer respeitar o contrato. No entanto, o estatal não é competente o suficiente para impedir a violação do pacto social e o que temos é uma condição de simples natureza, condição de guerra de todos os homens contra todos os homens, e isso quase que neutraliza o pacto.
O poder público situado acima dos contratantes (pessoas) deve ter direito e força suficiente para fazer cumprir as leis e normas formais. O estado deveria inibir a condição de natureza primitiva das pessoas, independentemente de suas idades, refreando a ambição, a avareza, a cólera e outras paixões dos homens, improprias a vida civilizada, mesmo que seja com algum poder coercitivo.

7 de set. de 2015

Entre o conhecido corrupto e a probabilidade do desconhecido.

Atente para muitas das opressões que acontecem em nosso País; e eis que vejo até lágrimas dos que são negligenciados pelo poder, sendo que a força está, quase sempre, do lado dos agentes públicos corruptos ou despreparados. Até os prejudicados somam força para impulsionar e massacrar a opinião geral em benefício de opiniões particulares.
Uns e outros dizem que não sabem; que não viu as más obras que se fazem em nosso país com recursos do erário. Também vejo que muitos se orgulham de não saber o que é política, dizem: "eu não gosto de política". Os tolos cruzam as suas mãos, e são coniventes com a dilapidação do patrimônio econômico, ético e moral de nosso país.
Há muitos que não pensam nas consequências de elegerem maus gestores; e que o trabalho do contribuinte é o que alimenta o estatal: Para quem trabalho eu? Por que tenho que privar meus conterrâneos do bem?
Então digo eu; melhor é eleger um desconhecido, que não tem certeza em torno de sua honestidade, de que eleger o desonesto conhecido. Oras, já sei que o conhecido desonesto é corrupto e o desconhecido apresenta uma probabilidade de ser honesto e não corrupto.
Chico de Oliveira

4 de set. de 2015

A vitória do Homem massa

Vejo poucos querendo embelezar as faculdades do espírito, as artes que dependem das palavras, e especialmente aquela capacidade para proceder de acordo com regras gerais e infalíveis a que se chama Ciência; a qual muito poucos têm, é apenas numas poucas coisas, pois não é uma faculdade nata, nascida conosco, e não pode ser conseguida como a preguiça.
Encontra-se entre os homens uma igualdade natural, quase absoluta, na capacidade de aprender, ainda maior do que a igualdade de força. Porque o saber nada mais é do que experiência com aprendizado, que culturas semelhantes e tempos iguais de aplicação oferecem a todos os homens, naquelas coisas a que igualmente se dedicam, conhecimentos e saberes parecidos.
O que talvez possa tornar inaceitável essa igualdade é simplesmente a concepção vaidosa da aplicação pessoal. As classes menos favorecidas usam o tempo para outras aplicações que não favorecem o aprendizado das artes que dependem das palavras. Os homens médios supõem que os seletos têm sorte por ocuparem tal posição.
A natureza é tão justa que a capacidade de aprender é distribuída para quase todos os homens de maneira igual. No entanto, o meio cultural, a situação financeira e, em poucas pessoas, as complicações biológicas podem inibir o aprendizado. Sendo que a maior parte dos alunos não aprende por cultuar a inércia.
Os desprovidos de sabedoria agora não querem só o direito de pertencerem a grande massa, querem o direito de vetar o conhecimento e que todos sejam nivelados por baixo. E viva o fim do homem seleto.
Sociologia 3º ano ensino médio. Chico de Oliveira  


2 de set. de 2015

O sábio e o tolo.

Os olhos do sábio estão na cabeça, mas o tolo, parece, não ter cabeça. Um homem cuja a vida é vivida com sabedoria e ciência produz bons frutos; contudo, esses vão ser desfrutados, também, pelo louco de cabeça raspada internamente.
O sábio usa todos os seus dias para aplicar-se ao conhecimento, e o seu trabalho visa o bem comum; nem de noite a sua mente descansa. Mas a ralé não tem mente e se tem não usa. O tempo livre do populacho é usado, exclusivamente, para a diversão.
Não há nada melhor para uma pessoa do que a sabedoria, e fazer que a sua vida goze do bem da sua aplicação. Vi que também a aplicação da sabedoria em uma sociedade afeta todos os habitantes dessa sociedade.
Porque a pessoa que possui sabedoria usa essa em benefício de todos. Já a corrupção, apesar de ser defendida por muitos da ralé, é usada em benefício de poucos.
Toda pessoa tem possibilidade de ser instruída, mas poucas desejam a instrução. Uma pessoa “tola” é como uma célula defeituosa no corpo e muitas é como um câncer maligno. Prezar pela instrução de todos é ter um corpo saudável.
O sábio faz para todos e o tolo não faz nem para si mesmo.
Chico de oliveira

31 de ago. de 2015

Indicadores econômicos do Brasil

A dívida bruta do governo geral do Brasil, no período de agosto de 2014 a julho de 2015, passou de 3 trilhões, 034 bilhões e 680 milhões para 3 trilhões, 684 bilhões e 851 milhões de reais. Um aumento de 21,43% no período de um ano e mesmo descontando a inflação do período, que foi de 9,56%, temos um aumento de 11,87% na dívida bruta. Em relação ao PIB a dívida bruto passou de 56,2% para 64,6%.  
A Dívida líquida do governo geral do Brasil, nesse mesmo período, era de 1 trilhões, 838 bilhões e 333 milhões, foi para 2 trilhões, 043 bilhões e 299 milhões de reais. Um aumento de 11,15% no período de um ano e descontando a inflação, que foi de 9,56%, temos aumento de 1,59% na dívida líquida. Com relação ao PIB foi de 34% pra 35,8%. 
O PIB passou de 5 trilhões, 401 bilhões e 127 milhões para 5 trilhões, 704 bilhões e 781 milhões de reais. Sem descontar a inflação o Brasil teve um crescimento, aproximadamente 5,63% no PIB, mas quando descontamos a inflação temos -1,9%, nos 7 primeiros meses de 2015.
Fonte: Banco Central do Brasil (Chico de Oliveira

25 de ago. de 2015

Rousseau: Religião e o bem público

----Você faz parte de uma religião toda espiritual, preocupada unicamente com as coisas do Céu. A pátria do religioso não é desse mundo. É certo que você cumpre seu dever, mas cumpre com uma profunda indiferença no que concerne ao bom ou mau êxito das coisas públicas. Uma vez que nada se lhe tenha a reprovar, a você pouco importa ir as coisa bem ou mal aqui em baixo. A anta política mal deseja falar da felicidade pública; esse orgulha-se da falta de justiça de seu país, quando o Estado perece ele abençoa a mão de Deus que se abate sobre o povo.
----A caridade que você faz parte não permite que se fale mal do próximo. Desde que tal indivíduo, graças a força divina, haja encontrado um jeito de se impor e apoderar-se de uma parte da autoridade pública, ei-lo revestido de dignidade: Deus deseja que se o respeite. Em breve torna-se um poder: Deus quer que se lhe obedeça. O depositário desse poder talvez abuse dele: e isto é a vara de Deus que abusa do seus próprios filhos.
----Os mais sábios aconselha lutar contra o usurpador, mas faz-se preciso perturbar a tranquilidade pública e, isso não se harmoniza com a cultura dos religiosos. Finalmente, que importa ser escravo ou livre nesse mudo de miséria? O essencial é atingir o paraíso, e a conivência não é se não um meio de chegar a ele.

24 de ago. de 2015

O argumento central de Karl Marx

“A história de toda a sociedade até aqui é a história de lutas de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, burgueses de corporação e oficial, em suma, opressores e oprimidos, estiveram em constante oposição uns aos outros, travaram uma luta ininterrupta, ora oculta ora aberta, uma luta que de cada vez acabou por uma reconfiguração revolucionária de toda a sociedade ou pelo declínio comum das classes em luta”. Karl Marx e Friedrich Engels (Manifesto do Partido Comunista).
            A moderna sociedade burguesa, saída do declínio da sociedade feudal, não aboliu a oposição de classes. Apenas pôs novas classes, novas condições de opressão, novas configurações de luta, no lugar das antigas. A nossa época, a época da burguesia, distingue-se, contudo, por ter simplificado as oposições de classes. A sociedade toda cinde-se cada vez mais, em dois grandes grupos inimigos, em duas grandes classes que cada vez mais se enfrentam: burguesia e proletariado.

22 de ago. de 2015

O desinteresse do corpo vulgo

----Aqui a coisa pública deixou de ser a principal preocupação dos cidadãos, os quais servem a União apenas com os bolsos e delegaram a tarefa de pensar a vontade particular, Já encontramos o interesse coletivo próximo da ruína.
----Alguns sabem que é preciso pensar o País, mas não existem cabeças para isso e se existem o corpo vulgar não que pô-las sobre os ombros. Eles nomeiam deputados sem cabeças, fundamentados nos valores das campanhas eleitorais. É a força do dinheiro e a preguiça, eles dispõem de representantes para roubarem e venderem a pátria.

----É a confusão do lucro com ociosidade, é o ávido interesse do ganho, é a lassidão e o amor das comodidades sem esforço algum do corpo vulgo. Em estados verdadeiramente livres, os cidadãos tudo fazem, longe de se isentarem de pensar a coisa pública, faz-se questão de pensar e chegar em uma vontade soberana.

----Tão logo diga alguém, referindo-se aos interesses do Estado, que me importo? Pode te a certeza que esse contribui para a ruína da coisa pública.
Chico de Oliveira

21 de ago. de 2015

Max Weber e os Tipos Ideais.

 Em sua obra inacabada, Economia e Sociedade, Max Weber (1864-1920) fez uma tentativa de descrever o funcionamento da sociedade, bem como um método pelo qual uma nova disciplina, a Sociologia, poderia avançar. Um dos métodos de estudo de Weber era o uso de noções abstratas como os “tipos ideais”.
Semelhante a uma caricatura, um tipo ideal exagerava as principais características e reduzia as menos importantes, visando esboçar a verdade subjacente. Essa abordagem era chave para o método de Weber, permitindo-lhe entender as partes complexas da sociedade por uma versão simplificada.
papel do sociólogo, em seu entendimento, seria construir e analisar os tipos ideais baseado na observação da realidade. Isso contrastava com Karl Marx, que tentava deduzir o funcionamento da sociedade capitalista em sua lógica interna, ou “lei de movimento”, em vez da observação direta.
sociedade, argumentava Weber, somente poderia ser entendida baseando-se em suas partes constitutivas, em primeira instância, os indivíduos. Estes agiam, coletivamente, de maneira complexa, mas poderiam ser entendidos pelo sociólogo.

19 de ago. de 2015

Indicadores econômicos do Brasil.

Émile Durkheim: Fato Social

Fatos sociais são comuns a todos os indivíduos em uma determinada sociedade, pois todas as pessoas tem um modo, um jeito de interagir, é como existir duas pessoas em uma só e os fatos sociais exercem um certo poder de obrigação sobre a sociedade, pois a sociedade é quem forma o homem.
Nos estudos do sociólogo francês Émile Durkheim (1558-1917), a sociedade possui o poder de influenciar os indivíduos, em outras palavras a sociedade prevalece sobre as pessoas. A sociedade possui por atribuição conjuntos de normas e regras que segundo Durkheim influência o comportamento e as atitudes dos indivíduos e que são construídos fora da mente das pessoas. Dessa forma para o sociólogo francês, na vida em sociedade o homem defronta com regras e condutas sociais que não foram diretamente criadas por eles, mas que existem e são aceitas na vida em sociedade, devendo ser seguido e aceito por todos. Para Durkheim o meio social é feito e desenvolvido por normas sociais chamados Fatos Sociais, que sem essas regras e valores a sociedade não existiria.
Para Durkheim as leis são um bom exemplo de fatos sociais. Pois em toda e qualquer sociedade existem leis que visam organizar a vida no meio social. Dessa forma o indivíduo isolado não cria regras nem pode individualmente modificá-las. As leis vistas como Fatos Sócias são transmitidas para as gerações seguintes, na forma de Normas Culturais, Códigos, decretos Constituições etc. Os indivíduos quando fazendo parte de uma sociedade deve aceitar suas regras, sob a pena de sofrer o castigo por violá-las.

 Émile Durkheim e o fato social

Os Fatos Sócias no meio social possuem algumas características básicas que permitiu sua identificação na realidade:

16 de ago. de 2015

POLÍTICA, PODER E ESTADO

CIÊNCIA POLÍTICA
            Quando você pensa em política, o que vem a sua cabeça? Provavelmente algo relacionado ao governo, as pessoas que administram a sociedade, o estado ou o país. Você talvez pense nas eleições, nos candidatos ou no voto. E pode ter uma opinião desfavorável sobre política: muita gente quando ouve falar em política, logo pensa em corrupção.
            Mas você já pensou em quantas coisas boas foram conseguidas na sua vida por lutas políticas? Por exemplo, hoje você pode postar na internet uma frase como “Odeio todos os políticos, ou o governo é corrupto”. No Brasil a menos de 30 anos, quem criticasse o governo desse jeito poderia ser preso, torturado e até morto. Isso só deixo de ser assim graças a um movimento político forte que mudou a forma de o país ser governado. E quem acha que outros problemas graves do Brasil podem ser resolvidos sem política está seriamente iludido.

13 de ago. de 2015

O Capitalismo (Ernest Mandel)

O capitalismo é um modo de produção fundado na divisão da sociedade em duas classes essenciais: a dos proprietários dos meios de produção (terra, matérias-primas, máquinas e instrumentos de trabalho) - sejam eles indivíduos ou sociedades - que compram a força de trabalho para fazer funcionar as suas empresas; a dos proletários, que são obrigados a vender a sua força de trabalho, porque eles não têm acesso direto aos meios de produção ou de subsistência, nem o capital que lhes permita trabalhar por sua própria conta.
O capitalismo não existe em lugar nenhum em estado puro. Ao lado dessas duas classes fundamentais vivem outras classes sociais. Nos países capitalistas industrializados, encontra-se a classe dos proprietários individuais de meios de produção e troca, que não exploram ou quase, mão-de-obra: pequenos artesãos, pequenos camponeses, pequenos comerciantes. Nos países do Terceiro Mundo, encontramos muitas vezes ainda proprietários fundiários semifeudais, cujos rendimentos não provém da compra da força de trabalho, mas de formas mais primitivas de apropriação do sobre trabalho, como a corveia ou a renda em espécie. Trata-se aí, porém, de classes que representam resquícios das sociedades pré-capitalistas, e não classes típicas do próprio capitalismo.

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